quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

O Mensageiro dos Ventos

Despeje em mim sua dor se isso te fará melhor
mas não me jogue suas mentiras e nem o seu rancor
apenas olhe ao seu redor e
beba do vinho que antes era água
beba da mágoa que antes era  amor
me mostre onde você plantou o sândalo
e onde o machado te machucou
E tua essência será o teu fim
e o teu começo já se acabou 
olhe pra mim e comece do nada
beba do vinho que antes era água
beba do amor que antes era mágoa
O mensageiro dos ventos toca uma melodia  
que não fala de dor ou de melancolia
Mas mesmo assim toda a tarde termina
um pouco triste ,pois, o amor já existe
e a renovação incide como o vento que te aflige.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Vampiro

Teu verbo me feriu como quem sente o fio da faca
As cores de abril parecem vir bem mais opacas
Entre o cinza e o anil por pura indecisão
Púrpura enche o vazio de cores do coração
Quis passar verniz no pôr-do-sol
Fazer algum brilho realçar
No momento em que os defeitos se deixam de lado
Fomos acusados por não saber acusar
Os raios que atravessam as nuvens e se fincam nas copas das arvores
São meros desertores dos céus e se não conseguissem tocar o chão?
Seriam gelados como suas palavras
Roubariam minha essência, meu calor, meu paladar
E tudo mais o que me resta, se esse amor me pudesse curar
Me daria uma noite de sono tranqüilo
Ressuscitaria o cadáver de um vampiro 

(minha simples homenagem a O Vampiro de Charles Baudelaire)

Depois dos gritos o Silêncio


Abra os braços, pois, o poço não e tão fundo
Todos estamos do mesmo lado quando estamos no fim do túnel
E a luz que chega é de um trem sem rumo...
Está tudo escuro onde não moram os anjos
Com medo eu durmo procurando um refúgio
Uma prece intercede dentro de meu corpo sujo...
Ergui o braço, senti o seu abraço e o calor de suas mãos
Me diga o que faço ,pois, em meus pés não sinto mais o chão
Agora posso perceber que tua força é tua compaixão
Abra os braços , pois, podes alçar vôo
Todos estamos errados prestando atenção nos outros
E assim iremos nos enterrando aos poucos...
E é assim que acontece o tempo todo
Na rua o assalto e no seu apartamento
Depois dos gritos o silêncio...

O Amor

Eu nao sei se ainda sou
Quem será eu mesmo agora?
Meu nome está desfeito
Um outro alguém me controla.

O Silêncio que há no Espaço

Quando a noite cai e as estrelas
Entre as nuvens negras fingem que já vão
Povoar no céu outras centelhas
De outras vidas, luzes que não existiam
Vidas que se laçam entre o cosmo
Linhas do universo em outra dimensão
Sonhos que chovem com meteoros
No buraco-negro o que é o tempo então?
Quando a noite cai e a tristeza
Vem querer tomar meu corpo assim, em vão!
Ouço o silêncio que há no espaço
Em um vago momento em que tenho a razão
Diga á meus filhos que fui forte
Quando vi a terra á primeira vez
Antes que aquele azul sufoque
Tive a em minhas mãos e pensei que fosse um Deus.
(letra ja musicada)                                                            

Patas de Elefantes


Vou andando por entre patas de elefantes
Olhando atentamente, esperando a vela acabar de queimar
Feito mãe que guarda a cria ao anoitecer
A manada me empurra e eu tenho que seguir
Meus desprazeres se esvaem
Como tortuosas gotas de cera quente
Que traçam um caminho demente
Para morrerem como estatuas soturnas
Petrificadas em forma de horror
Invado os rios e os serrados
Indolente entre calcanhares cinzentos
Refugio meu anseio, pois, tenho uma prece também
Minha alegria é meu medo, pois,
Eles não têm piedade de quem tem
Vejo meu rosto claro à luz da chama
Marcando os passos de sua epilética dança
Pupila dilata, ires muda a cor
O sol que se punha agora vem hesitante
Eu sou a falha unha do imutável elefante.